MAIS UM JOGO, MAIS UMA DECEPÇÃO: BRASIL ESCAPA DA DERROTA NO ÚLTIMO LANCE E SÓ EMPATA COM A AUSTRÁLIA

Seleção de Ancelotti repete dificuldades ofensivas, encontra pouca criatividade e precisa de gol de Rayan aos 49 minutos do segundo tempo para evitar uma derrota no primeiro amistoso pós-Copa

MAIS UM JOGO, MAIS UMA DECEPÇÃO: BRASIL ESCAPA DA DERROTA NO ÚLTIMO LANCE E SÓ EMPATA COM A AUSTRÁLIA
ARTE: Alan Costa

A Seleção Brasileira começou o novo ciclo rumo à Copa do Mundo de 2030 com um resultado que dificilmente empolga o torcedor. Em Townsville, na Austrália, o Brasil ficou no 1 a 1 com os donos da casa, em uma partida marcada por dificuldades para construir jogadas, pouca criatividade no setor ofensivo e mais uma atuação que reacende questionamentos sobre o trabalho de Carlo Ancelotti.


O empate só aconteceu no último lance da partida. Depois de uma cobrança de escanteio de Raphinha, Rayan apareceu na área e marcou de cabeça, evitando aquela que seria a segunda derrota brasileira para a Austrália na história.


O problema é que, antes do gol salvador, o Brasil apresentou novamente um futebol que já vinha sendo questionado desde o ciclo anterior.


Brasil tem a bola, mas não consegue transformar posse em futebol


A Seleção terminou a partida com 56% de posse de bola e sete finalizações, contra seis dos australianos. Os números, entretanto, não traduzem uma superioridade brasileira clara. O time teve dificuldades para encontrar espaços e, principalmente, para transformar posse de bola em oportunidades realmente perigosas.


A formação no 4-2-4 deixou o meio-campo com pouca presença criativa. Com apenas dois jogadores no setor central, o Brasil frequentemente tentou acelerar as jogadas por meio de lançamentos e bolas diretas para o ataque.


O resultado foi um time pouco conectado.


Vinícius Júnior teve atuação discreta, Raphinha tentou participar mais da construção, enquanto Estêvão apareceu como uma das alternativas mais perigosas. Ainda assim, faltou ao Brasil aquilo que historicamente sempre foi uma de suas principais características: capacidade de criar e desmontar uma defesa bem posicionada.


Estêvão marcou, mas VAR anulou


O Brasil chegou a balançar as redes ainda no primeiro tempo.


Estêvão marcou após uma jogada em que Endrick e Bruno Guimarães pressionaram a saída australiana. Entretanto, o VAR revisou o lance e a arbitragem anulou o gol por uma falta de Bruno Guimarães sobre o defensor australiano na origem da jogada.


A partir daí, a Seleção continuou tentando encontrar espaços, mas sem conseguir impor uma pressão suficiente para transformar o domínio territorial em vantagem no placar.


Gol da Austrália aumenta a pressão sobre Hugo Souza


Aos 22 minutos do segundo tempo, a Austrália abriu o placar.


Irankunda cobrou uma falta de maneira precisa, por cima da barreira, e venceu Hugo Souza. A cobrança foi considerada um golaço, mas o posicionamento do goleiro brasileiro passou a ser discutido após o lance. A própria CNN Brasil destacou que a jogada provocou questionamentos sobre a reação e o posicionamento do arqueiro.


Não foi um gol contra, mas a atuação do goleiro certamente será um dos assuntos após a partida.


E a discussão ganha ainda mais força porque a convocação de Ancelotti conta também com outros goleiros, enquanto nomes como Alisson, Ederson e Weverton ficaram fora desta lista específica de amistosos. O ge registrou, inclusive, o bom momento de alguns desses jogadores em seus clubes.


Ancelotti mexe, mas o Brasil continua sem criatividade


Depois de sofrer o gol, Ancelotti promoveu mudanças buscando aumentar o poder ofensivo.


Rayan, Pedro, Samuel Lino, Douglas Luiz, Jair e Mauro Júnior entraram durante a partida. Mesmo com as alterações, porém, o Brasil continuou encontrando dificuldades para criar situações claras de gol.


Segundo a CNN Brasil, após o gol australiano a equipe pressionou, mas continuou com dificuldades para produzir perigo real ao goleiro australiano.


Foi justamente quando o relógio já apontava o último lance que Rayan apareceu.


Raphinha cobrou o escanteio e o atacante subiu para cabecear. A bola ainda tocou no goleiro Beach e no travessão antes de morrer dentro do gol.


1 a 1. Um empate que teve gosto de alívio, mas que também deixa muitas perguntas.


O novo ciclo começa com os velhos problemas?


O amistoso era tratado como o primeiro passo de uma nova caminhada depois da Copa do Mundo de 2026. A convocação trouxe novidades: Ancelotti chamou 26 jogadores, incluindo oito estreantes na Seleção principal, buscando começar a montagem da equipe para o ciclo até 2030.


Mas a primeira apresentação não foi capaz de afastar as dúvidas.


O Brasil voltou a mostrar dificuldade para enfrentar uma equipe que se fecha, teve pouca criatividade pelo centro do campo e terminou dependendo de uma bola parada no último lance para evitar a derrota.


É verdade que se trata de apenas o primeiro amistoso do novo ciclo. Também é verdade que o gramado de Townsville recebeu críticas pelas condições ruins, fator que interferiu no andamento da partida.


Mas isso não explica tudo.


A falta de aproximação entre os setores, a dificuldade de criação e a dependência de jogadas individuais foram problemas observados durante a partida.


E agora, Ancelotti?


Carlo Ancelotti chegou à Seleção Brasileira carregando um currículo que dispensa apresentações e com a missão de conduzir o Brasil em um novo ciclo.


Por isso mesmo, a cobrança será inevitável.


Um treinador brasileiro provavelmente seria muito questionado diante de uma sequência de atuações como essa. Com Ancelotti, parte da discussão naturalmente ganha outro peso justamente pelo histórico internacional do italiano e pelas expectativas criadas em torno de sua contratação.


Mas futebol não vive apenas de currículo.


O torcedor brasileiro quer ver a Seleção jogar bem.


E, pelo que foi apresentado contra a Austrália, ainda há muito trabalho pela frente.


O próprio resultado deixa claro que o Brasil não conseguiu transformar sua superioridade técnica em domínio efetivo da partida. O empate veio no último suspiro e evitou um resultado ainda mais preocupante.


TERÇA-FEIRA TEM MAIS


E a resposta poderá começar rapidamente.


Brasil e Austrália voltam a se enfrentar na próxima terça-feira (29), às 7h de Brasília, no Suncorp Stadium, em Brisbane. Será mais uma oportunidade para Ancelotti testar jogadores, formação e principalmente encontrar soluções para os problemas apresentados em Townsville.


Depois, a Seleção encara a Índia, em 3 de outubro.


O novo ciclo começou.


Mas, para o torcedor, fica uma pergunta incômoda:


será que o Brasil finalmente vai apresentar um futebol digno da camisa que veste ou continuará vivendo de lampejos e gols salvadores no fim?


Rayan evitou a derrota.


Agora, cabe a Ancelotti fazer o Brasil evitar que os velhos problemas continuem acompanhando a Seleção rumo a 2030.


Sugestão de chamada para a capa:

“BRASIL ESCAPA NO ÚLTIMO LANCE: NOVO CICLO COMEÇA COM OS VELHOS PROBLEMAS”

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